Carne de frango: quase 16% maior que em 2011, volume exportado cresceu graças, apenas, aos cortes

Comparando-se o desempenho dos quatro principais itens de carne de frango exportados em 2021 com aqueles registrados em 2011 (nos dois casos, período de 10 meses, entre janeiro e outubro), observam-se mudanças significativas no mix registrado nesses 10 anos: o volume exportado é, em 2021, quase 16% maior que o de 10 anos atrás. No entanto, tal crescimento tem a participação, exclusiva, dos cortes de frango, pois o volume de frango inteiro, de industrializados e de carne de frango salgada é menor que o de 2011.

Antes de prosseguir é interessante observar que 2011 foi, até aqui, o exercício mais rentável para as exportações brasileiras de carne de frango. Pois enquanto o volume registrado ficou próximo (mas ligeiramente abaixo) dos 4 milhões de toneladas, a receita cambial dele decorrente ultrapassou (pela primeira e única vez) os US$8 bilhões (mais exatamente, foram, no ano, US$8,252 bilhões), o que significou preço médio muito próximo de US$2.100,00 por tonelada embarcada, o melhor resultado anual da história das exportações.

Pois bem: comparativamente ao que foi exportado nos 10 primeiros meses de 2011, o volume de frango inteiro deste ano, até outubro, foi quase 30% menor, desempenho que se repetiu na carne salgada (menos 13,64%) e nos industrializados (redução de 41,13%). Ou seja: se houve aumento foram os cortes, exclusivamente, que contribuíram para ele – com um volume 55,19% maior.

Já no tocante aos preços médios, as perdas em relação a 2011 recaem sobre os quatro itens. E, comparativamente, o pior desempenho da atualidade é o da carne de frango salgada, cujo preço médio em 2021 vem sendo 35,71% inferior ao de dez anos atrás. Na sequência vêm os cortes – com preço quase um quarto menor -, os industrializados (-11,96%) e, por fim, o frango inteiro, com redução de 10,15%. Na média, os preços alcançados neste ano, embora em franca recuperação, ainda permanecem mais de 20% abaixo dos registrados há 10 anos.

Com tais baixas, o aumento no volume embarcado foi insuficiente para impedir, neste ano, o retrocesso da receita cambial que, na média, foi 8% menor. Porém, essa queda teria sido maior não fosse o excepcional aumento no volume de cortes que, apesar da redução do preço, registraram 18% de aumento na receita cambial. Com isso, minimizaram as perdas de 35,48% do frango inteiro, de 44,48% da carne salgada e de 48,17% dos industrializados.

Não custa lembrar que a redução na receita cambial se resumiu à perda de divisas para o País, pois foi compensada pelas mudanças no câmbio. Aliás, amplamente compensadas já que nos 10 primeiros meses de 2021 o dólar alcançou valor perto de 225% superior ao de idêntico período de 2011. Com isso, a receita atual, em moeda brasileira, foi quase 160% maior.

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